Aerolineas

Lisboa é porta de entrada para a expansão da Gol na Europa

A Gol Linhas Aéreas, companhia aérea brasileira, inaugurou nesta quarta-feira, 16 de setembro, a nova ligação direta entre Lisboa e o Rio de Janeiro, escolhendo Portugal como porta de entrada para a sua nova fase de expansão internacional na Europa. A rota, que liga o Aeroporto Humberto Delgado (LIS) ao RIOgaleão (GIG), arranca com quatro frequências semanais e passará a cinco a partir de 24 de novembro.

“Portugal foi uma escolha natural para iniciarmos esta nova etapa da expansão da Gol na Europa”, afirmou Mateus Pongeluppi, vice-presidente Comercial da Gol, durante a apresentação da operação, em Lisboa. O responsável justificou a escolha pelos fortes laços entre os dois países e pela dimensão da comunidade brasileira residente em Portugal: “o país acolhe mais de meio milhão de cidadãos brasileiros e mantém com o Brasil laços históricos, culturais e económicos muito fortes”.

Para o responsável, a nova ligação é “mais do que uma nova rota no nosso mapa, é um convite para que os passageiros comecem a viver o Brasil a partir do momento em que entram a bordo”.

Assim, a escolha de Lisboa enquadra-se numa estratégia mais ampla da companhia, que este ano assinala 25 anos de atividade. A Gol nasceu em 2001, na sequência da liberalização tarifária do transporte aéreo brasileiro, com um modelo que procurava democratizar o acesso aos voos. Segundo Mateus Pongeluppi, quando a companhia surgiu o mercado brasileiro transportava cerca de 30 milhões de passageiros por ano; cinco ou seis anos depois, a própria Gol já transportava esse volume. Atualmente, o mercado brasileiro ronda os 110 milhões de passageiros anuais e a Gol representa cerca de 35 milhões.

A nova ligação europeia surge também na sequência da transformação da empresa e da integração no Grupo Abra. A Gol, que historicamente operou uma frota padronizada de Boeing 737, está agora a entrar numa nova fase com aeronaves de dois corredores. As primeiras operações com Airbus A330 começaram com Nova Iorque e chegam agora à Europa através de Lisboa (mas não ainda nos primeiros voos com o Rio, onde serão operadas aeronaves alugadas à WAMOS).

“Esta operação representa um passo importante na estratégia internacional da GOL”, declarou Pongeluppi, destacando ainda as sinergias e o conhecimento existentes no Grupo Abra, que permitem à companhia iniciar esta nova fase “com um nível avançado de preparação”, mantendo o foco na consistência do serviço e na experiência oferecida aos clientes.

O responsável ainda confirmou a vontade de tornar este voo direto numa operação diária, mas reconheceu as limitações do aeroporto de Lisboa, sendo que a Gol se limitou aos horários disponíveis. Também o interesse para voar a partir do Porto foi levantado, mas ainda não há previsões para avançar com esta operação.

A ligação Lisboa–Rio é também uma aposta na recuperação do papel do Rio de Janeiro como grande porta de entrada internacional no Brasil. Mateus Pongeluppi recordou que, durante décadas, as operações internacionais brasileiras estiveram fortemente concentradas em São Paulo e que o Rio perdeu o papel de hub internacional que tivera. A Gol pretende agora aproveitar a dimensão da sua operação no RIOgaleão para distribuir passageiros por todo o território brasileiro. O aeroporto concentra quase 70% da oferta de assentos da companhia naquela infraestrutura, permitindo ligações para o Nordeste, Centro-Oeste e Sul do Brasil, além de destinos internacionais na América do Sul.

A estratégia inclui ainda a possibilidade de stopover no Rio de Janeiro, permitindo ao passageiro interromper a viagem e permanecer na cidade antes de prosseguir para o destino final sem acréscimo no preço da passagem. A companhia está atualmente a trabalhar com uma estadia de três dias, mas admite rever esse período, tendo em conta os hábitos de viagem dos passageiros europeus.

Uma operação pensada para lazer e negócios
Danillo Barbizan, Diretor de Vendas da Gol, explicou que a entrada no mercado europeu implicou uma transformação significativa dentro da própria companhia. Até poucos meses antes do lançamento, os planos e projetos da empresa estavam essencialmente estruturados em torno do Boeing 737, com capacidade para até cerca de 180 passageiros. A chegada do A330 obrigou a uma mudança de cultura e de mentalidade, bem como à preparação das equipas para a operação de voos de longo curso com aeronaves de quase 300 lugares.

A nova rota terá inicialmente uma forte componente de lazer. Barbizan explicou que a expectativa é começar com cerca de 80% a 85% de passageiros de lazer e aproximadamente 15% de passageiros corporativos. Ainda assim, a companhia considera importante manter um equilíbrio entre os dois segmentos para garantir a sustentabilidade da operação.

Portugal assume um papel particular nesta estratégia por ser, segundo a companhia, o principal destino europeu dos brasileiros. A proximidade cultural e linguística entre os dois países favorece tanto o segmento de visita a familiares e amigos como o lazer e os negócios.

O mercado português está a ser trabalhado diretamente através do site da Gol e, sobretudo, através do canal profissional das agências de viagens e operadores. A companhia dispõe de uma gerente de contas portuguesa baseada em Lisboa para acompanhar o mercado local e tem vindo a reforçar a relação com os agentes de viagens.

Para Barbizan, esta abordagem representa uma mudança importante na distribuição da companhia: “o grande diferencial que a gente tem hoje em termos de distribuição” é precisamente o facto de a Gol passar a olhar também para o passageiro que se origina no mercado internacional e para os canais de venda que trabalham nesse mercado.

Danillo Barbizan sublinha ainda que a entrada em Portugal não tem como objetivo simplesmente retirar passageiros às companhias que já operam entre os dois países. A intenção, segundo o Diretor de Vendas, é contribuir para o crescimento global do mercado. “A gente não veio para repartir esse bolo que já existe, a gente veio para agregar muito mais nesse mercado”, afirmou, explicando que a Gol pretende trazer novos passageiros para a indústria aérea e aumentar a procura entre Portugal, Brasil e os restantes destinos ligados pela rede da companhia…

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