Aerolineas

Para as aéreas, combustível é dor de cabeça contornável. Reforma tributária, não

Alíquota projetada de 26,5% pode encarecer passagens e frear a expansão da aviação no Brasil, diz presidente de associação do setor

Combustível mais caro tira o sono das companhias aéreas. Mas esse é um problema com a qual elas já sabem lidar: voos são reduzidos, um ou outro destino fica suspenso e os investimentos em aviões mais eficientes aumentam. Mas há dores de cabeça maiores e, ao que indicam executivos do setor, para as quais não há remédio.

“O combustível é uma tempestade que conseguimos contornar. A reforma tributária é uma tempestade grande demais para ser evitada”, diz Peter Cerdá, vice-presidente regional da International Air Transport Association (Iata) para as Américas e CEO da Associação Latino-Americana e do Caribe de Transporte Aéreo (Alta) em entrevista ao InvestNews.

Nas contas das associações, a aplicação da alíquota de 26,5% – estimada com a entrada em vigor dos novos tributos IBS e CBS a partir de 2027 – elevaria em 16,1% o preço das passagens domésticas e em 13,3% o das internacionais. A demanda cairia 21,1% no mercado doméstico e 17,8% no internacional, segundo as projeções da entidade.

O impacto final depende de quanto as companhias repassariam para as tarifas, da recuperação de créditos tributários e da reação dos consumidores.

Cerdá diz que o preço das viagens aéreas caiu cerca de 60% nas últimas décadas. Ainda assim, o Brasil não conseguiu ampliar de forma significativa o número de viagens por habitante, o que, na visão dele, mostra a dificuldade de tornar o transporte aéreo mais acessível no país.

O alerta agora é que o imposto pode afetar a expansão de uma aviação que cresce a ritmo lento e que ainda atende uma parcela pequena da população…

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