O Brasil bateu recordes na aviação e no turismo internacional em 2025. Os aeroportos do país transportaram 129,6 milhões de passageiros no ano passado, enquanto o número de visitantes estrangeiros que vieram ao país por via aérea chegou a 9,3 milhões, ambos os maiores da série histórica.
Mesmo assim, o país ainda não aproveita todo o potencial que tem para crescer no transporte aéreo. Essa é a avaliação de Peter Cerdá, vice-presidente regional da Iata (Associação Internacional de Transporte Aéreo) para as Américas.
Em entrevista exclusiva ao UOL, o executivo afirmou que o avanço recente mostra o compromisso das companhias aéreas com o mercado brasileiro, mas ressaltou que ainda existem entraves estruturais que impedem uma expansão maior do setor.
«Quando olhamos os números do mercado doméstico, foi um ano muito forte e positivo. Isso mostra o compromisso da indústria em continuar crescendo no Brasil, mesmo com todos os desafios que ainda enfrentamos», disse.
Segundo ele, o aumento da demanda indica que mais pessoas estão viajando e que o país segue avançando na ampliação do acesso ao transporte aéreo. «Mais pessoas estão viajando, o que é muito bom. Estamos no caminho certo para tornar o transporte aéreo viável e acessível para todos os brasileiros», afirmou.
Turismo ainda pouco explorado
Apesar do crescimento recente, Cerdá avalia que o Brasil ainda recebe menos turistas internacionais do que poderia, considerando suas dimensões e atrativos. O país registrou cerca de 9,3 milhões de visitantes estrangeiros em 2025.
Para o executivo da Iata, esse número mostra espaço significativo para expansão e que há uma grande oportunidade. «Quando você olha para países como Espanha ou México, o Brasil tem todos os ingredientes para se tornar um destino dominante para viagens e turismo», disse.
Na avaliação dele, o setor precisa atuar de forma mais coordenada com o governo para transformar esse potencial em resultados concretos. «O setor de viagens e turismo precisa estar melhor alinhado. Precisamos transmitir mensagens mais claras ao governo sobre o que é necessário para que o país cresça mais nesse segmento», afirmou o executivo.
Entraves: Custos e judicialização
Entre os principais obstáculos para o crescimento da aviação no Brasil, Cerdá cita o ambiente regulatório, os custos elevados e o alto nível de judicialização do setor. «O Brasil não pode continuar sendo o país mais litigioso do mundo [na aviação]. Simplesmente, não pode», afirmou.
Segundo ele, o custo total de uma viagem aérea vai muito além da tarifa paga pelo passageiro, já que inclui diversos encargos e taxas. «Me frustra muito quando o governo diz que viajar é caro. Bem, por que é caro? Quando você começa a destrinchar o custo total, a viagem é apenas uma parte, mas depois existem todos esses custos adicionais, como a sobretaxa de combustível, as tarifas aeroportuárias e assim por diante», disse
Para Cerdá, mudanças no ambiente regulatório e na estrutura de custos poderiam contribuir diretamente para ampliar o acesso ao transporte aéreo.
«Se o governo, particularmente o governo brasileiro, trabalhar junto com a indústria para criar o ambiente regulatório correto e reduzir alguns desses custos que estão atualmente no consumo, isso certamente terá um impacto positivo», afirmou.
Reforma tributária preocupa
Outro ponto que preocupa a indústria é o impacto da reforma tributária sobre o custo das viagens. Segundo o executivo da Iata, a alíquota estimada em torno de 26% pode tornar o transporte aéreo mais caro para muitos brasileiros. «Uma alíquota de 26% terá um efeito devastador sobre viagens e turismo», afirmou.
De acordo com o executivo, o aumento de custos pode reduzir a demanda e afetar diretamente a expansão das rotas aéreas. «Se as viagens ficarem mais caras, muitos brasileiros simplesmente não poderão viajar. […] Isso pode fazer com que as companhias reduzam frequências ou deixem de abrir novas rotas», disse o executivo.
Além do impacto para passageiros, Cerdá ressaltou que a conectividade aérea também é essencial para o transporte de cargas e para a integração de regiões mais isoladas do país. «Em um país como o Brasil, onde você está se candidatando a muitas comunidades com acesso difícil ou inexistente por via terrestre, o transporte aéreo se torna crucial do ponto de vista social e de saúde», afirma Cerdá…