Aerolineas

Geraldo Alckmin – Brazil Vice President

Há exatamente 27 anos, esta cidade recebeu a IATA pela última vez. Desde então, o mundo, a aviação e o Brasil mudaram – todos para melhor. Receber a 82a Assembleia Geral da IATA nesta cidade é, para nós, muito mais do que um evento de prestígio: é um reconhecimento do lugar que o Brasil ocupa na aviação civil mundial. Porque o Brasil não tem um pioneiro na aviação, tem dois.

O jesuíta Bartolomeu de Gusmão, nascido em Santos em 1685, ergueu o primeiro balão de ar quente da história diante do rei Dom João V de Portugal. Antecipando os irmãos Montgolfier em quase um século, ele ficou conhecido como o «padre voador». O segundo grande pioneiro foi Alberto Santos Dumont, que em outubro de 1906, no campo de Bagatelle, em Paris, decolou a bordo do 14-bis sem o auxílio de catapulta ou rampa. Dois brasileiros, dois séculos de distância, uma mesma obstinação: a certeza de que o homem podia superar a gravidade.

Este é o Brasil que recebe vocês hoje: um país com mais de 300 anos de história na aviação. Um país que voou antes mesmo de o mundo saber que voar era possível.

Os dados atuais estão à altura dessa história. Em 2025, o Brasil transportou praticamente 130 milhões de passageiros em voos domésticos e internacionais. Esse número é 9,4% superior ao do ano anterior e 9,2% acima do recorde histórico anterior. Pela primeira vez, o mercado doméstico superou a marca de 100 milhões de passageiros em um único ano. No mercado internacional, foram 28,4 milhões de passageiros, um crescimento de mais de 20% em relação ao nível pré-pandemia. Somos o maior mercado de aviação da América do Sul e um dos maiores do mundo, e ainda não chegamos ao topo do nosso potencial.

O Brasil tem dimensões continentais, uma população de mais de 215 milhões de pessoas, uma classe média vigorosa e uma geografia que tornam o avião não um luxo, mas uma necessidade. A aviação regional é, para nós, um instrumento fundamental de integração nacional.

O Brasil honrou esse espírito pioneiro construindo uma indústria forte. A Embraer é hoje uma das três únicas fabricantes do mundo capazes de projetar, certificar e entregar aeronaves comerciais completas, ao lado da Boeing e da Airbus. Em 2025, a empresa cresceu 18% na entrega de aeronaves. Além disso, em setembro passado, a Latam anunciou a compra de até 74 aeronaves da Embraer, com 24 encomendas firmes avaliadas em cerca de 2,1 bilhões de dólares.

O governo do presidente Lula compreende a aviação como uma política de Estado. Concluímos 42 obras aeroportuárias em 2024, com 3,2 bilhões de reais em investimentos. Também lançamos o programa Ampliar, que busca integrar até 102 aeroportos regionais aos contratos de concessão existentes, com um potencial de mais 3,4 bilhões de reais em novos investimentos.

No campo tributário, zeramos as alíquotas dos impostos PIS e COFINS sobre o transporte aéreo regular de passageiros e reduzimos progressivamente o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre as operações de leasing de aeronaves, medida que gerou uma economia de centenas de milhões de reais para o setor. Além disso, incluímos o setor aeronáutico entre os vetores estratégicos da Nova Indústria Brasil e aderimos ao Acordo sobre Comércio de Aeronaves Civis da OMC (Organização Mundial do Comércio), uma decisão que nos coloca ao lado dos grandes produtores na governança do mercado aeronáutico mundial.

Apesar disso, o nosso setor enfrenta desafios que nenhum país resolve sozinho. O custo do combustível permanece elevado e volátil, as cadeias de suprimento ainda carregam as cicatrizes da pandemia, a pressão por descarbonização é crescente, legítima e urgente, e a escassez de mão de obra qualificada ameaça a capacidade operacional em vários mercados.

Nesse cenário, o tema da descarbonização da aviação merece atenção especial, e o Brasil tem uma vantagem comparativa única neste debate como um dos maiores produtores de biocombustíveis do mundo. Nosso agronegócio, nossa biodiversidade e nossa capacidade de pesquisa colocam o país em uma posição privilegiada para liderar o desenvolvimento e a produção de Combustíveis Sustentáveis de Aviação, o SAF. O Brasil pode ser, para a descarbonização da aviação, o que nenhum outro país do mundo pode: uma potência verde com capacidade industrial para transformar recurso natural em solução global.

Queremos, enfim, um futuro mais conectado e mais sustentável. Um futuro em que a aviação continue sendo o que sempre foi em sua melhor versão: uma força de aproximação entre os povos, de democratização de oportunidades e de integração do mundo.

Muito obrigado.

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Fuente: IATA
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