A Associação de Transporte Aéreo Internacional (IATA) destacou a oportunidade do Brasil de se tornar uma potência em SAF durante sua 82ª Assembleia Geral Anual realizada no Rio de Janeiro, Brasil. Isso tornaria o país um ator-chave na descarbonização do transporte aéreo, fortaleceria a segurança energética e impulsionaria a economia brasileira.
Pontos principais a destacar incluem:
- As companhias aéreas precisarão de cerca de 500 milhões de toneladas (Mt) de SAF para cumprir o compromisso de zerar as emissões líquidas de CO2 até 2050.
- O Brasil possui um dos maiores potenciais de biomassa do mundo, cerca de 180 Mt até 2050, o que poderia gerar aproximadamente 60 Mt de SAF.
- Olhando para 2030, o etanol sustentável à base de açúcar do Brasil, bem como óleos virgens e resíduos, poderiam atingir cerca de 18 Mt, traduzindo-se em aproximadamente 12 Mt de potencial de produção de SAF. Isso equivale a cinco vezes a produção global estimada de SAF em 2026 de 2,4 Mt.
- Atualmente, o Brasil possui cerca de 15 projetos de SAF em andamento. Se todos forem concluídos, isso traria cerca de 2 Mt de SAF para operação.
“O Brasil tem todos os ingredientes para ser uma potência global em SAF. Possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, além de abundante matéria-prima. Além disso, como o segundo maior produtor de biocombustíveis líquidos do mundo, o país se beneficia de profunda experiência e infraestrutura desenvolvida. O Brasil tem uma oportunidade real de ser líder global na descarbonização da aviação. Abraçar essa oportunidade criará empregos, reduzirá a dependência de combustíveis fósseis estrangeiros, construirá novas indústrias de energia e agricultura e impulsionará a economia. Com as políticas certas implementadas na ordem correta, o Brasil está pronto para acelerar o mercado”, disse Willie Walsh, Diretor-Geral da IATA.
Vantagens Competitivas e Benefícios Econômicos
Além da disponibilidade de matéria-prima, a experiência do Brasil na produção de etanol, bem como sua base de refino estabelecida, conferem ao país várias vantagens competitivas. Juntas, essas condições criam uma base sólida para ampliar o HEFA (Ésteres e Ácidos Graxos Hidroprocessados) e outras rotas avançadas de SAF, particularmente o etanol-para-querosene, podendo permitir que o Brasil se torne um exportador líquido de SAF.
Os benefícios econômicos podem ser transformadores. Novas indústrias e mercados surgiriam em toda uma cadeia de valor que abrangeria agricultura e desenvolvimento de matéria-prima, logística, infraestrutura, refino, produção de combustíveis avançados e novos produtos de exportação. Isso apoiaria empregos, segurança e independência energética, melhoria dos solos, fortalecimento do capital natural e das comunidades locais.
Concretizando o Potencial do Brasil
A produção de SAF no Brasil ainda está em estágio inicial. Alcançar escala exigirá:
- Infraestrutura: Implantação de tecnologias de conversão, investimento em infraestrutura e melhoria da logística para conectar o fornecimento de matéria-prima às instalações de produção.
- Incentivos de Política: A política deve permitir o sucesso com incentivos direcionados à produção, apoiando mecanismos de financiamento mais robustos e alinhando-se aos padrões globais de sustentabilidade.
- Abordagem Book-and-Claim: A criação de um sistema book-and-claim baseado em certificados de SAF negociáveis terá papel importante. É encorajador que o marco regulatório brasileiro Combustível do Futuro – ProBioQAV esteja definido para incluir esses certificados juntamente com requisitos para o uso de SAF pelas companhias aéreas. Essa abordagem fará conexões críticas com estruturas globais como o CORSIA. A sequência é fundamental para garantir que SAF suficiente esteja disponível antes que qualquer meta de uso seja implementada.
“O Brasil tem muitas vantagens — tanto em termos de recursos naturais quanto de vasta experiência — que devem dar ao país um papel de liderança mundial nos mercados de SAF. A escala do potencial brasileiro é tal que as recompensas econômicas podem ser transformadoras. Aplicar políticas já testadas na ordem correta é necessário para alcançar escala e reduções de preço, mas tentar saltar etapas na construção das cadeias de suprimento e ir direto para mandatos não funcionará. Alinhar políticas com padrões e programas globais como o CORSIA permitirá que o Brasil aproveite ao máximo seu grande potencial”, disse Marie Owens Thomsen, Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade e Economista-Chefe da IATA.