Aerolineas

IATA destaca quatro prioridades para enfrentar falhas na cadeia de suprimentos aeroespacial durante simpósio em Madri

Na inauguração do IATA World Maintenance and Engineering Symposium, realizado em Madri, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) identificou quatro áreas essenciais para superar os persistentes problemas na cadeia de suprimentos da indústria aeroespacial:

– Aumentar a visibilidade da cadeia de suprimentos
– Ampliar o mercado de pós-venda (aftermarket)
– Explorar o potencial dos dados, digitalização e inteligência artificial (IA)
– Desenvolver a capacitação humana

Os desafios da cadeia de suprimentos foram tema central na recente Assembleia Geral Anual da IATA. Willie Walsh, Diretor-Geral da entidade, destacou que a fila de pedidos de aeronaves ultrapassa 18 mil unidades e a idade média da frota alcança recorde de 15,2 anos.

A falta de mais de 5 mil aeronaves substitutas mais eficientes impede ganhos operacionais e eleva despesas com leasing e manutenção. Em 2025, as falhas na cadeia de suprimentos custaram ao setor aéreo pelo menos US$ 11 bilhões, agravados pelos altos preços do combustível.

Stuart Fox, Diretor de Operações Técnicas e de Voo da IATA, ressaltou que atrasos na entrega de aviões, problemas na durabilidade de motores, escassez de materiais e peças, além da capacidade limitada em manutenção, têm impactado as operações das companhias aéreas. Para reverter esse cenário, ele propôs quatro medidas:

1 – Visibilidade aprimorada da cadeia de suprimentos: Incentivar fabricantes a fornecerem informações antecipadas e confiáveis sobre atrasos, prazos de reparo, disponibilidade de peças e gargalos, permitindo que as aéreas planejem melhor suas operações globais.

2 – Ampliação do mercado de pós-venda: Estimular que mais fabricantes adotem princípios do acordo IATA-CFM, promovendo maior competição no aftermarket, com acesso facilitado a serviços terceirizados de manutenção, peças alternativas e reparos autorizados. Restrições comerciais antigas limitam a utilização de alternativas certificadas, aumentando custos e tempos de espera.

3 – Aproveitamento de dados, digitalização e IA: Promover integração entre sistemas de manutenção das aéreas e inteligência de mercado externa para otimizar gestão de estoque, identificar escassez, apoiar decisões de reparo ou substituição e fortalecer reivindicações de garantia. A IA pode prever demandas, detectar faltas e reduzir trabalho manual. Parcerias como a IATA com o International Airlines Technical Pool (IATP) e a oferta do MRO SmartHub gratuitamente às aéreas são exemplos de iniciativas nesse sentido.

4 – Desenvolvimento da capacidade humana: Revisar processos de recrutamento, treinamento e licenciamento de técnicos de manutenção para reduzir prazos, ampliar alcance e melhorar estabilidade dos profissionais. A demanda por técnicos deve crescer substancialmente, com estimativa da Boeing apontando necessidade de 710 mil novos técnicos nos próximos 20 anos. Aumentar a capacidade de treinamento e facilitar reconhecimento de competências internacionalmente são estratégias essenciais…

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