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Aviação doméstica retoma níveis pré-pandemia só no fim de 2021, diz secretário
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Aviação doméstica retoma níveis pré-pandemia só no fim de 2021, diz secretário

O secretário de Aviação Civil do Ministério da Infraestrutura, Ronei Glanzmann, acredita que o setor aéreo brasileiro deverá retornar aos níveis pré-pandemia somente no fim de 2021. “Por isso é importante preservarmos as companhias durante essa travessia. O crédito do BNDES é crucial.”

Cada uma das três grandes empresas aéreas tem queimado entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões por mês, segundo o secretário, enfatizando que a liberação do pacote de socorro financeiro assume papel-chave nos esforços para evitar que alguma delas entre em recuperação judicial no Brasil — como ocorreu com a Latam nos Estados Unidos.

Glanzmann observa que as companhias estão cortando fortemente os custos e tentando elevar aos poucos suas receitas, que desabaram em abril e maio, com redução de 93% na quantidade de voos. Para junho, a expectativa é de números “um pouco menos ruins” e malha aérea 86% inferior ao nível pré-pandemia, o que “já ajuda no processo de estancamento” da hemorragia do caixa.

No caso das rotas internacionais, Glanzmann avalia que a recuperação deve ocorrer em formato de “U”, com queda prolongada antes da retomada. Não só devido às barreiras para estrangeiros nos Estados Unidos e em outros países, mas também pelo comportamento dos passageiros, ele concorda com as previsões da Iata (associação internacional das empresas aéreas) de uma volta à normalidade em 2022 e ao nível pré-pandemia em 2023 ou 2024.

No caso das operações domésticas, com o retorno das viagens corporativas e a substituição do turismo no exterior pelo nacional, o secretário vê perspectivas de normalização progressiva em 2021 e volta ao patamar anterior no fim do próximo ano. A Iata, ao projetar o movimento global, fala em queda de 55% das receitas com passagens aéreas neste ano.

“As empresas [no Brasil] têm um certo caixa para sobreviver alguns meses? Têm. Mas o crédito do BNDES é crucial. Se elas começam a ter aeronaves paradas à força pelos lessores [donos dos aviões arrendados] e a atrasar taxas aeroportuárias, não voltam mais. É o círculo vicioso que leva uma companhia aérea para o buraco”, afirma.

Glanzmann prefere não fazer comentários sobre as negociações do pacote de ajuda, com a participação de um consórcio de bancos comerciais, e ressalta que cabe ao BNDES se pronunciar. Ele também evita falar se o Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), abastecido pelo recolhimento de outorga anual dos aeroportos privatizados, poderia ser usado como garantia para a operação.

Na semana passada, o Valor publicou que era a ideia defendida pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, junto ao colega da Economia, Paulo Guedes. A reportagem informou ainda que o custo do empréstimo — antes estimado em TLP + 1,3% ao ano — subiu para CDI + 4%. O BNDES arcará com 60% do dinheiro liberado, os bancos comerciais vão entrar com 10% e outros 30% serão recursos de mercado (debêntures simples e bônus de subscrição). No entanto, o total financiado por empresa ficará em torno de R$ 2 bilhões. Antes falava-se em R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões…

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